José Castello

José Castello

Sinopse

Como Mário de Andrade, o cronista José Castello pode dizer que é trezentos, trezentos e cinquenta, talvez mais, sempre o mesmo e sempre variável, de acordo com as sugestões e inquietações do momento. Essa mobilidade espiritual assusta alguns leitores. Um deles escreveu ao cronista queixando-se de que ele mudava a cada semana e classificando-o de 'sujeito sem caráter'.
O leitor condenava o que talvez seja a maior qualidade, ou uma das maiores, de José Castello, a capacidade de se renovar a cada dia, a multiplicidade de interesses, a variedade de pontos de vista. O que seria do cronista, e do mundo, com a invariabilidade e a mesmice elevadas à aspiração suprema?
No seu caso pessoal, a visão múltipla da vida se intensifica por se tratar de um ficcionista, um criador de personagens, que vira e mexe introduz em suas crônicas alguma criatura saída de sua imaginação, mas com vida própria o suficiente para criar caraminholas na cabeça de alguns leitores.
A 'brincadeira' de introduzir seres imaginários no mundo dos vivos mostra algumas facetas do cronista, o seu humor, por vezes ácido, a irreverência, o gosto pela paródia convertida em sarcasmo, provenientes em parte do conhecimento do outro lado da vida, da face real de tantos figurões e figurinhas que ele, como jornalista profissional e entrevistador, conheceu ao longo de sua atividade. O contato mais profundo com a humanidade sugere fantasmas. A propósito, uma outra preferência do cronista é pelo fantástico, muitas vezes descambando no assustador, quando não no declarado terror.
Os trabalhos que integram as Melhores Crônicas José Castello são reunidos em livro pela primeira vez, recolhidos diretamente na imprensa. A mudança de veículo não lhes alterou o paladar. Como no jornal, mantêm o mesmo sabor de vida e a mesma acidez crítica.

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