Caio Fernando Abreu

Caio Fernando Abreu

Sinopse

Caio Fernando Abreu passou como um meteoro pelas letras brasileiras. A trajetória fulminante, a sua luminosidade, a ousadia em tratar temas ditos malditos, numa literatura tão bem comportada como a nossa, criaram uma certa resistência à sua obra.
Chegaram a acusá-lo de escritor pesado e baixo-astral, sobretudo pelas suas abordagens do sexo no mundo gay. Sentia-se magoado, mas admitia o gosto pelo chulo, o não literário, talvez até o antiliterário, e replicava que o pesado não era ele, mas a realidade. A realidade, que muitos se recusavam a ver, englobava ainda outros aspectos cruéis ou apenas renovadores, mas condenados em bloco pelos bem-pensantes, dos quais Caio foi o primeiro (ou um dos primeiros) a tratar na literatura brasileira: drogas, rock, cultura pop.
Romancista, tradutor, teatrólogo, autor de literatura infantojuvenil, foi no conto que Caio encontrou a sua melhor forma de expressão literária. Estreando aos 22 anos, exatamente com um volume de contos, deixou oito volumes no gênero.
Como contista, ele retratou com impiedade, 'delicadeza e paixão, sombra e luminosidade, o necessário grão de loucura que jamais lhe permitiria ser medíocre' (Lya Luft) uma sociedade decadente, insatisfeita, insegura, formada por seres cada vez mais angustiados e vazios, recorrendo com frequência aos paraísos artificiais para tornar a realidade, se não atraente, pelo menos suportável, mas com a busca permanente ao amor. Amor que nem sempre se enquadra nas idealizações habituais, mas que nem por isso deixa de ser amor.
No prefácio Melhores Contos Caio Fernando Abreu, Marcelo Secron Bessa sugere que toda a obra de Caio pode ser pensada 'como um grande romance desmontável, cujo tema maior é o amor'. Maior do que o amor apenas a paixão pela vida, o prazer de viver, talvez até mesmo sem amor.

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